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Por Dr. Alexandre Pinto de
Azevedo*
Nos últimos dez anos, a
obesidade vem sendo assunto de interresse para diversas especialidades,
ultrapassando as barreiras da endocrinologia e da nutro logia. Não seria
diferente para a psiquiatria, principalmente pela importante correlação
entre obesidade e aspectos psiquiátricos/psicológicos envolvidos. Há algumas
edições, esta revista apresentou uma série de manuscritos que abordaram
estes aspectos e seus estigmas; portanto, tornase desnecessário uma
repetição do tema.
A principal questão é: qual o
papel particular de uma equipe de saúde mental no tratamento da obesidade?
Em princípio, parece-nos universal as condutas que devem ser realizadas para
este grupo de pacientes, incluindo as farmacoterápicas e dietoterápicas.
Porém, fica-nos evidente que assim como parte da população geral é portadora
de um quadro psicopatológico, dentro deste grupo específico também
encontraremos portadores de sintomas ou síndromes psiquiátricas. Desta
forma, as condutas universais para a obesidade deverão ter uma abordagem
diferenciada.
Diferentes estudos já
demonstraram que pacientes obesos apresentam uma maior prevalência de
sintomas depressivos, de sintomas ansiosos e de transtornos de
personalidade. Além disso, há uma alta prevalência de Transtorno da
Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), o comer compulsivo, em obesos que
buscam tratamento para a perda de peso. O Comer Compulsivo ou TCAP é um
transtorno psiquiátrico ainda em estudo e de forma didática deve ser
incluído dentro da categoria dos transtornos alimentares ou transtornos do
comportamento alimentar. Estes transtornos são reconhecidos por serem
síndromes comportamentais associados a transtornos fisiológicos e fatores
físicos. Portanto, o tratamento da obesidade em indivíduos portadores de
alguma síndrome psiquiátrica deve ser individualizado.
A investigação de possíveis
fatores psíquicos geradores de ganho de peso deve ser o passo inicial.
Devemos lembrar que patologias psiquiátricas como o TCAP, a síndrome da
alimentação noturna, a depressão atípica ou mesmo o uso de psicotrópicos
para tratamento de diferentes síndromes psiquiátricas podem levar à
obesidade. Por vezes, o investimento terapêutico adequado nestas situações é
suficiente para garantir a perda de peso. Quando não, fazse mais necessário
a participação de outros especialistas. Um grupo de tratamento da obesidade
deve incluir especificamente a equipe médica e a equipe de nutrição. Sob o
aspecto da saúde mental, esta equipe deve incluir a equipe de psicologia.
Para tanto, à convite do
Prof. Dr. Táki Athanássios Cordás, coordenador geral do Ambulatório de
Bulimia e Transtornos Alimentares (AMBULIM) do Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq/HC/FMUSP),
criamos o Grupo de Estudos de Comer Compulsivo e Obesidade, o GRECCO. É um
grupo de estudos, pesquisa e assitência a pacientes portadores de TCAP e/ou
obesidade composto por profissionais com experiência na área psiquiátrica. O
grupo é composto por uma equipe de médicos psiquiatras, pela equipe de
endocrinologia (coordenada pela Dra. Zuleika Salles Cozzi Halpern), pela
equipe de nutrição (coordenada pela Nutr. Cimani Santos), pela equipe de
psicologia (coordenada pela Psic. Fátima Vazques) e pela equipe de
educadores físicos (coordenada pelo Prof. Roberto Costa).
A abordagem multidiscilinar
com diferentes focos é a característica deste grupo. Desta maneira, o
paciente portador de comer compulsivo e/ou obesidade é avaliado para o
diagnóstico e tratamento de comorbidades psiquiátricas, além comorbidades
clínico-endocrinológicas. O investimento psicoterápico e nutricional é
focado na reeducação alimentar, com base na orientação
cognitivocomportamental. Aspectos psicológicos como o estigma social da
obesidade, a percepção da imagem corporal, os possíveis fatores de
manutenção da obesidade e a falha do tratamento são avaliados e revistos.
Além disso, o investimento na atividade física supervisionada por
profissional especializado colabora com o sucesso do tratamento.
O
GRECCO é um grupo que
manterá a boa prática do tratamento da obesidade com uma abordagem
especializada no aspecto psiquiátrico desta patologia.
*Dr. Alexandre Pinto de
Azevedo
Médico Psiquiatra
Coordenador do GRECCO-AMBULIM-IPq/HC/FMUSP
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