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Por Dra. Zuleika Salles Cozzi Halpern*

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Realizado em 10 de Junho de 2003, pela ABESO e
SBEM, na Faculdade de Saúde Pública da USP
Coordenadores do Fórum: Dr.Marcio Mancini, Dr. Carlos Augusto Monteiro, Dr. Nataniel
Viuniski. Participação: Diretoria da ABESO e membros de Departamento.
Área Técnica Científica: SBP- Sociedade Brasileira de Pediatria,
ASBRAN - Associação Brasileira de Nutrição, SBAN - Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, APAN - Associação Paulista de Alimentação e Nutrição, SPSP - Sociedade de Pediatria de SP, SBC - Sociedade Brasileira de Cardiologista.
Área Governamental:Assessor do Senador Tião Viana, Ministério da Segurança Alimentar, Ministério Saúde, Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição, Programa Nacional de Alimentação Escolar, Ministério da Educação e Cultura, Associação Nacional de
Vigilância Sanitária, Prefeitura de Florianópolis, Prefeitura do Rio de Janeiro, Instituto Annes Dias do Rio de Janeiro, Coordenação de Planejamento em Saúde da
SES.
Promotoria de São Paulo, Fac Filosofia Ciências e Letras da USP de
Ribeirão Preto,Secretária de Saúde do Estado de São Paulo,
Sind. Dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de SP, representante de escolas da Prefeitura de São Paulo, representante de cantinas escolares,
NUPENS: Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas e Nutrição,UNB -Universidade de
Brasília |
No dia 10 de junho, representantes de entidades científicas e de associações profissionais, especialistas da área da Nutrição e membros do poderes executivo, legislativo e judiciário estiveram reunidos na Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo, numa iniciativa da ABESO, para discutir formas de promover uma alimentação saudável, visando prevenir a obesidade na população escolar.
Inquéritos populacionais vêm evidenciando altas e crescentes prevalências de obesidade na idade escolar em vários países, incluindo o Brasil, conforme pode ser observado nas figuras que acompanham este texto.



As conseqüências negativas da obesidade infantil estão muito bem documentadas na literatura científica, e as principais são o aumento da pressão arterial, dislipidemias e resistência à insulina, fatores que elevam enormemente o risco de doenças cardiovasculares na idade adulta. Casos de diabetes tipo II em crianças, antes muito raros, já
representam um terço dos casos novos da doença nos Estados Unidos. Devido à estigmatização social da obesidade,
crianças com excesso de peso estão ainda sujeitas a uma série de graves distúrbios psicológicos. Por outro lado, uma grande parte das crianças obesas serão adultos obesos e, nessa medida, estarão expostas a maior risco de várias graves doenças crônicas, incluindo as cardiovasculares,
certos tipos de câncer e distúrbios do aparelho locomotor, vivendo assim menos anos e com pior qualidade de vida.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os países dêem máxima prioridade à prevenção da obesidade em crianças e adolescentes, sugerindo as
seguintes atividades:
1. Promoção da atividade física;
2. Restrição do consumo de alimentos caloricamente
densos e pobres em micronutrientes (ex: salgadinhos de pacote e refrigerantes);
3. Limitação da exposição das crianças às pesadas práticas de marketing desses produtos;
4. Provisão de informações para promover escolhas
saudáveis para o consumo alimentar (educação nutricional);
5. Resgate de dietas tradicionais saudáveis (alimentação é cultura).
No que se refere especificamente à promoção da
alimentação saudável, a OMS recomenda:
1. Estratégias abrangentes e indissociáveis (alimentação, atividade física e tabaco) na perspectiva do ciclo de vida;
2. Governos devem trabalhar em estreita parceria com a sociedade (consumidores, associações científicas e
profissionais, indústrias, comunidade acadêmica etc);
3. Estratégias devem ser focalizadas nas necessidades dos mais pobres (associar-se à agenda de combate à pobreza);
4. Padrões internacionais para regulamentar a comercialização e marketing de alimentos pouco saudáveis (Codex Alimentarius);
5. Forte liderança proativa de quem tiver mais condições de iniciar o processo (sociedade civil, governo, organismos internacionais);
6. Aumentar o acesso aos alimentos frescos e nutricionalmente ricos, principalmente para as populações mais pobres, com políticas de preços, rotulagem e alegações nutricionais;
7. Disponibilizar a informação sobre o conteúdo nutricional das refeições fora de casa, particularmente
“fast-foods”;
8. Estabelecer um plano de comunicação social (envolver profissionais da mídia);
9. Capacitar os profissionais de saúde e educação; 10. Implementar um sistema de informação para o monitoramento da situação alimentar, atividade física e morbidade por doenças crônicas não transmissíveis.
Levando em conta as recomendações da OMS, as
conseqüências negativas associadas à obesidade na infância e à tendência crescente do problema em nosso meio, a ABESO e a SBEM tiveram a iniciativa de promover um debate
nacional sobre o assunto para discutir formas de melhorar a qualidade da alimentação da criança em idade escolar. Um resumo das principais considerações e conclusões
emanadas desse debate é apresentado a seguir:
• Em nosso meio, a obesidade infantil é um sério problema de saúde pública meio que vem aumentando em todas as camadas sociais da população brasileira;
• A obesidade infantil é um sério agravo para a saúde atual e futura dos indivíduos;
• Prevenir a obesidade infantil significa diminuir, de uma forma racional e barata, a incidência de doenças crônico-degenerativas, como o diabetes e as doenças cardiovasculares;
• A escola é um grande palco onde esse trabalho de
prevenção pode ser realizado, pois as crianças fazem pelo menos uma refeição nas escolas, a escola possibilita a
educação nutricional, que pode ser trabalhada em qualquer disciplina, e a escola facilita a atividade física;
• A promoção da alimentação saudável pode e deve ser feita juntamente com a família;
• Ao trabalhar a promoção da alimentação saudável, o corpo docente também pode se beneficiar com a
adoção de um estilo de vida saudável;
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A merenda escolar deve atender às necessidades nutricionais das crianças, não só em quantidade como em qualidade e ser um agente formador de hábitos saudáveis;
• Ações governamentais regulatórias são essenciais, incluindo a regulamentação dos alimentos vendidos em cantinas escolares (já implantada em alguns municípios brasileiros, como Florianópolis e Rio de Janeiro), o
aperfeiçoamento da legislação sobre a rotulagem nutricional compulsória dos alimentos, a proibição de brindes e brinquedinhos em guloseimas e o controle da publicidade de alimentos dirigida para o público infantil (um excelente projeto de lei do Senador Tião Viana será votado
proximamente no Senado Federal).
*Dra. Zuleika Salles Cozzi Halpern - Médica
Endocrinologista
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