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Ética

Neste momento tão difícil no cenário político nacional, com problemas seríssimos relacionados à ética, venho trazer em discussão a linha tênue que existe na profissão médica em relação a este aspecto.

Faço parte, orgulhosamente, do Comitê de Ética da IASO (International Association for the Study of Obesity) e levei a este Comitê, em junho passado, por ocasião do Congresso Europeu de Obesidade ocorrido em Atenas, Grécia, uma decisão tomada pela Diretoria da ABESO.


Um dos nossos representantes de Departamento começou a prestar consultoria científica para a Herbalife e começamos a receber e-mails perguntando sobre estes produtos, estabelecendo uma associação totalmente indevida entre ABESO e Herbalife.

Esta empresa ofereceu-se para ser uma das patrocina-doras do nosso próximo Congresso de Obesidade que se realizará no Rio de Janeiro em 25 a 27 de Agosto, o que não foi aceito pela Diretoria da ABESO.

Pedimos uma posição oficial do Comitê de Ética Inter-nacional e, por isso, este assunto foi colocado em pauta na última reunião realizada em Atenas.

Estiveram presentes o Dr. Claude Bouchard, Dra. Judith Stern, Dra. Barbara Hansen, Dr. Ismail Noor, Dr. Pedro Kaufmann, Neville Rigby e Liz Freeman.

Foi aprovada por unanimidade a atitude da ABESO em não aceitar o patrocínio oferecido e o fato de termos afastado do Departamento o colega que associou o nome da empresa à nossa Associação.

A Herbalife está enviando a vários médicos endocrinologistas uma proposta de “parceria”.

Na verdade é uma proposta de venda de seus produtos e “comissão” por paciente encaminhado para a compra destes mesmos produtos. Vários colegas da ABESO já receberam este e-mail que vem assinado pela supervisora desta empresa, Cristina Kano.

Estamos tomando providências legais, pois é uma atitude totalmente não ética.

Colocamos a seguir, os princípios do código de ética médica e peço especial atenção aos itens 9 e 19.

Não vamos deixar que se instale o “mensalão” da Medicina.

Zuleika Salles Cozzi Halpern
Secretária Geral da ABESO
Membro do Comitê de Ética da IASO 

Art. 1° - A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza.
Art. 2° - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capa-cidade profissional.
Art. 3° - A fim de que possa exercer a Medicina com honra e dignidade, o médico deve ser boas condições de trabalho e ser remunerado de forma justa.
Art. 4° - Ao médico cabe zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da Medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão.
Art. 5° - O médico deve aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente.
Art. 6° - O médico deve guardar absoluto respeito pela vida humana, atuando sempre em benefício do paciente. Jamais utilizará seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano, ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.
Art. 7° - O médico deve exercer a profissão com ampla autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços profissionais a quem ele não deseje, salvo na ausência de outro médico, em casos de urgência, ou quando sua negativa possa trazer danos irreversíveis ao paciente.
Art. 8° - O médico não pode, em qualquer circunstância, ou sob qualquer pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, devendo evitar que quaisquer restrições ou imposições possam prejudicar a eficácia e correção de seu trabalho.
Art. 9° - A Medicina não pode,  em qualquer circunstância, ou de qualquer forma, ser exercida como comércio.
Art. 10° - O trabalho do médico não pode ser explorado por terceiros com objetivos de lucro, finalidade política ou religiosa.
Art. 11° - O médico deve manter sigilo quanto às informações confidenciais de que tiver conhecimento no desempenho de suas funções. O Mesmo se aplica ao trabalho em empresas, exceto nos casos em que seu silêncio prejudique ou ponha em risco a saúde do trabalhador ou da comunidade.
 Art. 12° - O médico deve buscar a melhor adequação do trabalho ao ser humano e a eliminação ou controle dos riscos inerentes ao trabalho.
Art. 13° - O médico deve denunciar às autoridades competentes quaisquer formas de poluição ou deterioração do meio ambiente, prejudiciais à saúde e à vida.
Art. 14° - O médico deve empenhar-se para melhorar as condições de saúde e os padrões dos serviços médicos e assumir sua parcela de responsabilidade em relação à saúde pública, à educação sanitária e à legislação referente à saúde.
Art. 15° - Deve o médico ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja por remuneração condigna, seja por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional da Medicina e seu aprimoramento técnico.
Art. 16° - Nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital, ou instituição pública, ou privada poderá limitar a escolha, por parte do médico, dos meios a serem postos em prática para o estabelecimento do diagnóstico e para a execução do tratamento, salvo quando em benefício do paciente.
Art. 17° - O médico investido em função de direção tem o dever de assegurar as condições mínimas para o desempenho ético-profissional da Medicina.
Art. 18° - As relações do médico com os demais profissionais em exercício na área de saúde devem basear-se no respeito mútuo, na liberdade e independência profissional de cada um, buscando sempre o interesse e o bem-estar do paciente.
Art. 19° - O médico deve ter, para com os colegas, respeito, consideração e solidariedade, sem, todavia, eximir-se de denunciar atos que contrariem os postulados éticos à Comissão de Ética da instituição em que exerce seu trabalho profissional e, se necessário, ao Conselho Regional de Medicina.

 

 

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