A obesidade é uma doença crônica cuja prevalência vem aumentando, em proporções epidêmicas, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento.
Dados brasileiros indicam que um processo de transição nutricional vem ocorrendo nas ultimas três décadas. Ao comparar os dados do Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF), realizado em 1974-1975, e os dados da Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV), realizada em 1996-1997, Wang e col. (2002), verificamos que a prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes de 6 a 18 anos triplicou, passando de 4,1% para 13,9%. Neste mesmo estudo, concluiu-se que as taxas de sobrepeso no país aumentam cerca de 0,5% ao ano, enquanto as taxas de subnutrição diminuem, aproximadamente, 0,3% ao ano.
A avaliação de crianças brasileiras estudada pela POF (Pesquisa Brasileira do Orçamento Familiar) 2003-2002 do IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística) (2006) indica que, na faixa etária de 10 a 19 anos, a freqüência de excesso de peso é de 16.7%. Esta freqüência é ainda mais importante para os pré-adolescentes, entre 10 e 11 anos, chegando a 22%. O mesmo estudo aponta que a obesidade acomete 2,9% das meninas brasileiras e 1,8% dos meninos. Em ambos os sexos, a freqüência da obesidade é maior no sul, sudeste e centro-oeste, e, dentro de cada região, tende a ser maior nos centros urbanos que no meio rural. Meninas do sudeste urbano apresentam os maiores índices de obesidade entre as crianças e adolescentes do país, chegando a 4%.
A probabilidade de uma criança obesa tornar-se um adulto obeso varia de 20-50% antes da puberdade e 50 a 70% após a puberdade. Este risco predispõe a criança obesa a sérias complicações da obesidade na idade adulta.
O risco de morte em adultos obesos, que foram crianças ou adolescentes obesos, em comparação aos adultos magros, cuja infância e adolescência foram de peso normal, é significativamente maior.
Muitos estudos mostram que a obesidade é um importante fator de risco para o desenvolvimento de diabetes e doenças cardio-vasculares. . Assim como nos adultos, os fatores de risco na infância e adolescência estão diretamente relacionados ao excesso de peso e ao padrão de distribuição de gordura
A associação entre obesidade infantil e risco cardiovascular mantém-se na adolescência e incrementa-se na vida adulta com a persistência da obesidade.
Considerando a evolução dos indicadores de obesidade no Brasil e as sérias conseqüências que essa doença pode trazer para a saúde, a prevenção é fundamental!
Vale também destacar que a obesidade custa caro aos cofres públicos. Pesquisas apontam que países desenvolvidos utilizam de 2 a 8% da verba destinada à saúde para o tratamento da obesidade e das suas comorbidades. Esse cálculo não contabiliza os custos indiretos, ou seja o quanto a obesidade afeta a produtividade dos seus portadores e o quanto isso poderia impactar na economia do país.
Considerando, portanto, o aumento do número de obesos a cada ano, a gravidade da doença com relação ao risco de desenvolver doenças crônicas, a dificuldade de tratamento e o custo para o governo, a prevenção se faz fundamental.
Mas como prevenir uma doença que tem muitas causas? Se a obesidade tem componentes genéticos, de estilo de vida, de hábitos alimentares e de atividade física, a prevenção deve ser organizada em várias esferas.
A família, a escola, a comunidade e o governo, cada um, tem o seu papel.
Espera-se que o governo promova e proteja a saúde orientando o desenvolvimento de ações sustentáveis em cada esfera: individual, familiar, e comunitária. Para tanto, o governo deve monitorar os indicadores do estado nutricional e os dados científicos sobre dieta e atividade física, deve favorecer a prática de exercícios físicos em ambientes adequados e seguros, deve regulamentar a comercialização e a propaganda de alimentos para crianças, deve otimizar o papel da cantina da escola como promotora de educação nutricional, deve capacitar professores e cantineiros para promoção da alimentação saudável, deve encorajar o desenvolvimento e aplicação de políticas para melhorar a qualidade da dieta e aumentar o nível de atividade física, deve ainda estimular e apoiar pesquisas relevantes para o combate à obesidade.
O Ministério da Saúde, via a CGPAN (coordenação geral dos programas de alimentação e nutrição), propõe-se a vigiar e à promover a saúde, com relação aos programas de alimentação e nutrição.
O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, SISVAN, foi proposto primeiramente pelo INAN (Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição) em 1976, mas somente em 1990, após a promulgação da Lei 8080/1990, e com a publicação da Portaria 1.156 publicada em 31 de agosto desse mesmo ano, é que o SISVAN foi estabelecido nacionalmente.
O Sistema foi concebido sobre três eixos:
I - formular políticas públicas;
II - planejar, acompanhar e avaliar programas sociais relacionados à alimentação e nutrição; e
III - avaliar a eficácia das ações governamentais. Dessa forma cumpre seu papel em auxiliar os gestores públicos na gestão de políticas de alimentação e nutrição.
Na saúde o SISVAN é um instrumento para obtenção de dados de monitoramento do Estado Nutricional e do Consumo Alimentar das pessoas que freqüentam as Unidades Básicas do SUS.
São contempladas pela Vigilância Alimentar e Nutricional todas as fases do ciclo de vida: crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes.
Para a promoção de saúde a CGPAN tem políticas públicas para promulgar leis, decretos, regulamentações e normas que tornem o ambiente mais saudável, fazendo com que as escolhas alimentares saudáveis sejam mais factíveis à população, avançando em políticas de saúde e qualidade de vida.
Em 2002, a Organização Mundial da Saúde começou a preparar uma Estratégia Global para conter a escalada da obesidade e das enfermidades crônicas no mundo, através do aumento da atividade física e do consumo de frutas e verduras e da redução do consumo de alguns tipos de gordura, sal e açúcar.
Em 19 de maio de 2004 o Brasil anunciou o apoio à Estratégia Global da OMS para Alimentação Saudável e Atividade Física.
A meta da Estratégia é Promover e proteger a saúde, orientando o desenvolvimento de ações sustentáveis em nível individual, comunitário, nacional e mundial; que quando aplicadas juntas, resultarão na redução da morbidade e mortalidade associadas à dieta inadequada e à inatividade física na população. |