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Amigos, Após 4 anos de trabalho intenso, deixo a Secretaria Geral da ABESO e continuo como representante do Departamento de Obesidade Infantil.

Após 4 anos de trabalho intenso, deixo a Secretaria Geral da ABESO e continuo como representante do Departamento de Obesidade Infantil.

Nesses anos, as conquistas foram muitas, apesar de insuficientes na nossa luta contra o aumento da incidência de Obesidade no Brasil.

Tive o prazer de participar ativamente do convênio da ABESO com a SBEM e tenho certeza de que tanto nós, os profissionais de saúde, como a população de uma maneira geral seremos beneficiados com esta parceria.

O Projeto Escola Saudável já é um sucesso. Já está funcionando em várias regiões brasileiras e foi matéria da última Newsletter da IASO, distribuída no Congresso Americano de Obesidade em Vancouver, realizado de 15 a 19 de outubro deste ano.

Cada vez mais, todos os trabalhos mostram a importância da modificação do estilo de vida para a melhora da Obesidade e da Síndrome Metabólica, mas infelizmente ainda está longe da população se conscientizar da necessidade real de se empenhar para que tal mudança seja mantida ao longo da vida.

A escolha alimentar saudável, a atividade física regular assim como as mudanças comportamentais, tão importantes no dia-a-dia (ex: não comer em frente à TV ou computador), apesar de parecerem simples, são mudanças extremamente difíceis de serem seguidas, e com certeza o ambiente “Obesogênico”, cada vez mais acentuado nos últimos 30 anos, é uma das grandes causas.

A oferta de alimentos altamente industrializados e com alta densidade energética no lugar de alimentos mais saudáveis, a tecnologia e a violência, que cada vez mais fazem com que a população fique confinada em casa, a falta de uma atividade física mínima, em parte por conta dos 2 últimos fatores citados; esses fatores só agravam o problema e fica difícil ver uma luz no fim do túnel para a solução desta verdadeira epidemia que se tornou a Obesidade. Com certeza, a Obesidade será um dos pesadelos do terceiro milênio, por trazer tantos prejuízos à saúde da população em geral.

Ao mesmo tempo em que comemoramos o  aumento da expectativa de vida, não podemos dizer que esta maior sobrevida será acompanhada de qualidade de vida, pois vemos um quadro dramático da saúde pública, com muitos indivíduos sofrendo de doenças crônicas não-transmissíveis (obesidade, diabetes, hipertensão, câncer e doenças do coração – problemas causados em parte por uma alimentação de má qualidade) e suas conseqüências; para agravar, há a provável incapacidade de órgãos públicos de atender esta população adequadamente em um futuro muito próximo, pois 70% dos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) já vão para o tratamento dessas doenças.

A mídia não contribui, de uma maneira geral, para o esclarecimento da população, e vemos cada vez mais matérias sensacionalistas prometendo “fórmulas mágicas”, o que prejudica uma conduta adequada.

Felizmente, após a “derrapada” do governo em negar os dados incontestáveis da pesquisa extremamente bem-feita do IBGE, mostrando o aumento da obesidade da população brasileira de uma maneira geral, independente de sua condição socioeconômica, vemos que especialistas do Ministério da Saúde constatam que 260 mil mortes poderiam ser evitadas por ano se houvesse alimentação adequada.

Após 3 anos avaliando praticamente todas as pesquisas sobre alimentação realizadas no Brasil, chegaram a uma conclusão já esperada: os brasileiros estão comendo cada vez pior. Para incentivar uma alimentação balanceada, acabam de elaborar o primeiro guia oficial do País sobre alimentação saudável.

“Guia alimentar para a População Brasileira”

 www.saude.gov.br

Esse guia esclarece o que não é novidade: a mais típica combinação nacional – o arroz com feijão – é “saudável e completa em proteínas”.

Segundo dados compilados pelo Ministério da Saúde, o consumo do feijão caiu 30% nos últimos 30 anos, assim como sofreu queda o consumo de alimentos importantes, como ovos, cereais e frutas.

O consumo de refeições prontas, ricas em gordura, açúcar e sal, praticamente duplicou, assim como o consumo de bebidas alcoólicas.

O consumo de embutidos, como salsicha e mortadela triplicou e o de refrigerantes quadruplicou.

Por outro lado, mudanças no cenário nacional mundial, como, mais uma vez, o aumento da violência e a globalização, com suas conseqüências negativas cenário econômico, principalmente em países de terceiro mundo, sendo, com razão, fonte de angústia, faz com que muitos procurem “tratar” sua ansiedade com compulsão alimentar e muitas vezes, alcoólica; “tratamento” este que, além de agravar um problema já existente,  leva danos à saúde.

Nos últimos 30 anos, além das mudanças já citadas, os indivíduos apresentam uma diminuição de pelo menos 2h de sono por noite.

Muito recentemente foi demonstrado por pesquisadores da Universidade de Laval, no Canadá, que um período mais curto das horas de sono leva à diminuição dos níveis de leptina, hormônio essencialpara o balanço energético, que diminui a ingestão calórica e aumenta o gasto energético.

Portanto, uma noite com período curto de sono favorece e agrava o problema da obesidade.

Dito isso tudo, chegamos à conclusão de que a velha, boa e sábia receita de uma noite de bom sono, alimentação saudável, práticas regulares de qualquer que seja a atividade física, uma mente ocupada saudavelmente com boa música, uma boa leitura e, obviamente, uma boa companhia, já nos asseguraria, pelo menos no que depende de cada um de nós, uma boa qualidade de vida.

Só faltaria que o mundo fosse menos injusto e mais ético.

Desejo uma ótima gestão para a nova Diretoria da ABESO.

 

Zuleika Salles Cozzi Halpern
Secretária Geral da ABESO

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